Como se calcula Café arábica — preço internacional
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
É o preço internacional de referência do café arábica, em dólares por quilo. O Banco Mundial publica esse número toda vez que atualiza a planilha de CommoditiesProdutos básicos e padronizados, como petróleo, minério de ferro, soja e café, negociados no mundo todo com preço em dólar. Pesam muito nas exportações do Brasil.Ler o verbete completo ("Pink Sheet"), nos primeiros dias úteis do mês, e ele serve de parâmetro para o café que o Brasil exporta — somos de longe o maior produtor mundial de arábica. É um dado mensal, com unidade US$/kg.
Como é calculado
O Banco Mundial toma como referência o preço do café arábica nos mercados internacionais à vista (spot), construído a partir das cotações diárias dos contratos de entrega mais próxima, como o contrato "Coffee C" da bolsa ICE em Nova York. A unidade de origem do mercado é cents de dólar por libra-peso; o Banco Mundial faz a conversão para US$/kg (uma libra equivale a cerca de 0,454 kg) e publica o valor já em dólares por quilo, com duas casas decimais.
O número que entra na série é a média do mês dessas cotações diárias — não é o preço do produtor brasileiro no sítio, nem o preço do pacote na gôndola. É um preço atacadista internacional, antes de frete, seguro, torrefação, embalagem e tributos. Vem da aba Monthly Prices, coluna Coffee, Arabica, da série CMO (Commodity Market Outlook), com histórico que começa em janeiro de 1960.
O que significa
Para a economia brasileira, café arábica caro é notícia boa: mais dólares entrando pela Balança comercial: conceito BoP e conceito aduaneiroDuas contas do saldo de exportações menos importações de bens: a aduaneira, do MDIC, segue a mercadoria na alfândega; a do BoP, do Banco Central, segue a mudança de dono.Ler o verbete completo e maior receita para o produtor. Por isso a direção da série é maior-é-melhor. Para o importador lá fora e para o consumidor europeu ou americano, é o contrário.
Os principais motores do preço são: clima no cinturão cafeeiro de Minas Gerais e Espírito Santo (geada, estiagem ou chuva em excesso derrubam a safra e disparam o preço); ciclo bianual do arábica (um ano forte costuma vir seguido de um ano fraco na mesma lavoura); estoques globais acompanhados pela Organização Internacional do Café; câmbio dólar/real (quando o real desvaloriza, o produtor recebe mais em reais mesmo com o preço em dólar parado); e demanda nos países consumidores (Europa, Estados Unidos e, mais recentemente, China).
Pegadinhas
- Arábica ≠ robusta (conilon). São duas espécies diferentes de café. O arábica, de aroma mais complexo e mais valorizado, é o que esta série acompanha; o robusta (chamado de conilon no Brasil), usado em misturas e no café solúvel, tem preço próprio e costuma valer menos. O Brasil planta os dois; o maior produtor mundial de arábica somos nós, o maior de robusta é o Vietnã.
- Preço internacional ≠ preço ao produtor brasileiro. Esta série é a referência global em dólares. O produtor no Brasil olha o indicador CEPEA/ESALQ em reais por saca de 60 kg, que incorpora prêmio ou desconto de qualidade, logística, câmbio e tributos. Os dois andam juntos no longo prazo, mas podem divergir por semanas.
- Dólares × reais. Como a unidade é
US$/kg, variação cambial não aparece aqui: o preço pode ficar estável em dólar e, ainda assim, o produtor ganhar bem mais em reais quando o dólar sobe. Para enxergar o efeito no bolso do agricultor, cruze com o dólar. - Preço de referência ≠ preço na xícara. Entre o número aqui e o café do seu café da manhã há frete, seguro, imposto de importação do país destino, torrefação, embalagem, margem do varejo e defasagem de meses. Uma alta forte no mercado internacional vira apenas uma fração disso no pacote do supermercado, e demora a chegar.
- Mês da safra. A safra brasileira de arábica é colhida entre maio e setembro no Hemisfério Sul; é comum haver pressão de baixa no preço nesses meses e recuperação depois. Olhar um mês isolado confunde: o padrão é comparar com o mesmo mês do ano anterior (variação em 12 meses) ou usar a média móvel de 12 meses para suavizar a sazonalidade.
- Revisão retroativa. Em algumas edições, o Banco Mundial reajusta o histórico inteiro (arredondamentos, revisão metodológica). Pequenas diferenças entre uma consulta e outra, mesmo em datas antigas, são esperadas e vêm da fonte.