Como se calcula Carga de energia elétrica do SIN
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A carga de energia é a quantidade de eletricidade que o país consome, em média, ao longo de um mês. Quem mede é o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), que coordena as usinas e as linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede que liga quase todo o Brasil. A carga é a energia atendida por essa rede e, desde maio de 2023, também a da geração distribuída (como o painel solar no telhado), que o ONS passou a estimar. O número sai em MWmed (megawatts médios) e cobre os quatro subsistemas do SIN: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste. A série começa em janeiro de 2000.
Como é calculado
O ONS soma a energia que as usinas entregaram à rede para atender o consumo de cada subsistema no mês e divide pelas horas do mês: o resultado é a potência média, em megawatts, que ficou ligada o tempo todo. Um mês de 84.000 MWmed equivale a cerca de 62 milhões de megawatts-hora (84.000 × 744 horas de um mês de 31 dias). O BRradar soma os quatro subsistemas para chegar ao SIN e data cada mês pelo seu primeiro dia.
A carga inclui as perdas na transmissão e na distribuição. Desde 29/04/2023, o ONS soma também uma estimativa da micro e minigeração distribuída (MMGD: a energia que casas e empresas geram perto de onde consomem, quase toda em painéis solares), calculada com dados meteorológicos. Antes disso essa energia ficava de fora. Os sistemas isolados, que não estão ligados ao SIN, não entram.
O que significa
A carga anda junto com a atividade econômica: indústria, comércio e serviços consomem a maior parte da eletricidade, e o consumo das casas sobe com a renda e com o calor. Em abril de 2020, no começo da pandemia, a carga caiu para cerca de 60.700 MWmed, 12 % abaixo de abril de 2019.
Este arquivo mensal usa dados de medição verificados e sai cerca de dois meses depois do mês de referência (em 26/10/2026, ia até agosto), na mesma época da produção industrial, do varejo e dos serviços do IBGE.
No longo prazo, a carga dobrou: a média de 2000 foi de cerca de 40.700 MWmed e a de 2025, de 82.000 MWmed. Parte da alta de 2023 a 2025 vem de a série passar a contar a geração distribuída: a média foi de 69.800 MWmed em 2022, 74.700 em 2023 e 80.000 em 2024. O recorde mensal da série, perto de 89.800 MWmed em fevereiro de 2025, junta um mês de muito calor com essa abrangência maior. A queda de 2001 (média de 37.800 MWmed) é o racionamento, quando o país foi obrigado a cortar o consumo por falta de água nos reservatórios.
Pegadinhas
- Carga não é consumo faturado. A carga é medida na rede e inclui as perdas; o consumo que aparece nas contas de luz é menor.
- Degrau em maio de 2023. Com a geração distribuída somada a partir de 29/04/2023, a série sobe de patamar: maio de 2023 ficou cerca de 8 % acima de maio de 2022, quando abril tinha ficado 0,4 % abaixo de abril de 2022. As variações sobre o mesmo mês do ano anterior de maio de 2023 a abril de 2024 comparam abrangências diferentes e exageram o crescimento (abril de 2024 ficou 16 % acima de abril de 2023). Antes de maio de 2023, a energia dos painéis solares não aparece na carga, e a carga crescia menos que o consumo real.
- Mudanças de medição. Até 2014 o ONS só contava a carga atendida pelas usinas que ele despacha ou programa; de 2015 em diante passou a incluir também usinas que ele não despacha, com dados de medição da CCEE; e em 29/04/2023 passou a somar a estimativa da micro e minigeração distribuída. Comparações longas misturam definições.
- Calor e calendário. Meses quentes e meses com mais dias úteis têm mais carga. Para ver a tendência, compare com o mesmo mês do ano anterior, fora da janela de maio de 2023 a abril de 2024.
- Dados revistos. O ONS avisa que os dados passam por consistência recorrente e podem mudar depois de publicados.
- Últimos meses ainda não fechados. O arquivo do ONS já lista os meses seguintes com zero; o BRradar só mostra os meses com os quatro subsistemas apurados.