Como se calcula Taxa de desemprego
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
É o percentual da força de trabalho que está sem emprego mas quer trabalhar. É publicado pelo IBGE todo mês, no boletim da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), geralmente até o fim do mês seguinte. A unidade é % da força de trabalho.
Como é calculado
O IBGE visita periodicamente cerca de 211 mil domicílios espalhados pelo país. Pergunta, na semana da entrevista, quem tem emprego (ocupado), quem está procurando e disponível para começar (desocupado), e quem não procurou (fora da força de trabalho — aposentados, estudantes, donas de casa que não procuram etc.). A taxa é:
> desemprego = desocupados ÷ (ocupados + desocupados)
Ocupado é quem trabalhou pelo menos 1 hora na semana de referência, mesmo sem carteira. Desocupado é quem procurou emprego nos últimos 30 dias e estava disponível para começar na semana. Quem não procurou porque desistiu entra em "fora da força de trabalho", não engrossa o desemprego.
A pesquisa é mensal, mas o número publicado é o trimestre móvel (média dos três meses anteriores) — isso suaviza o ruído e é mais robusto para o tamanho da amostra. Então o número divulgado "em outubro" é na verdade o trimestre agosto-setembro-outubro.
O que significa
É o principal indicador de saúde do mercado de trabalho. Taxas acima de 12 % no Brasil costumam vir com recessão (como em 2015-2017 e 2020-2021). Taxas em torno de 7-8 % indicam mercado aquecido para o padrão nacional. Para contexto: o mínimo histórico recente ficou em torno de 6-7 % em meados de 2024 (o Brasil nunca teve "pleno emprego" na definição de países ricos, onde isso significa 3-4 %).
A taxa de desemprego não é só sobre quem perde emprego. Ela se mexe por dois lados: pelo numerador (gente procurando) e pelo denominador (força de trabalho). Uma queda do desemprego pode significar criação de empregos ou desistência de quem procurava (sai da força de trabalho). Para separar as duas, veja a taxa de participação no mesmo boletim.
Pegadinhas
- PNAD Contínua × Caged. Esta série é da PNAD Contínua (amostra, inclui informal). O caged é o cadastro oficial de admissões e demissões apenas de carteira assinada — mostra o fluxo, não o estoque, e não cobre informal.
- Trimestre móvel ≠ mês. O número de "outubro" é a média de ago+set+out. Mudanças bruscas aparecem com defasagem.
- Desalento. Em recessão profunda, muita gente desiste de procurar e sai da força de trabalho — o desemprego pode cair sem que o mercado tenha melhorado. O IBGE publica "subutilização" e "desalento" como medidas complementares para enxergar isso.
- Sazonalidade. O desemprego sobe em janeiro-fevereiro (depois das contratações sazonais do fim de ano) e cai no fim do ano. Para olhar tendência, compare o trimestre atual com o mesmo trimestre do ano anterior.
- Mudança de base (2012). Antes de 2012 havia a PNAD anual e a PME (mensal, só 6 regiões metropolitanas) — a PNAD ContínuaPesquisa do IBGE que visita domicílios em todo o país para medir trabalho e renda. É dela que sai a taxa de desemprego oficial do Brasil.Ler o verbete completo as substituiu com cobertura nacional. Séries anteriores a 2012 não são comparáveis com esta.
- Trabalho por conta própria. Entregadores de aplicativo contam como "ocupados" — o desemprego não captura precariedade; use a renda média real (renda-media) para enxergar isso.