Como se calcula Índice de preços de commodities (Banco Mundial)
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
O índice de preços de commodities do Banco Mundial resume, em um único número, para onde foram os preços internacionais das matérias-primas negociadas no mundo: petróleo, gás, carvão, grãos, óleos vegetais, carnes, café, madeira, metais e fertilizantes. É publicado todo mês no boletim CommoditiesProdutos básicos e padronizados, como petróleo, minério de ferro, soja e café, negociados no mundo todo com preço em dólar. Pesam muito nas exportações do Brasil.Ler o verbete completo Price Data (apelidado de "Pink Sheet"), em dólares correntes, com base 2010 = 100 e histórico desde janeiro de 1960. Um valor de 142,8 quer dizer que, naquele mês, a cesta custava 42,8 % a mais do que custou, em média, em 2010.
Como é calculado
O Banco Mundial parte da média mensal do preço de cada commodity (as mesmas cotações da Pink Sheet, como o Brent e a soja), transforma cada uma em índice 2010 = 100 e soma tudo com pesos fixos (índice de Laspeyres). Os pesos são a participação de cada produto no valor exportado pelos países em desenvolvimento em 2002–2004:
- Energia: 67 % — petróleo (cerca de 85 % da energia), gás natural (11 %) e carvão (5 %);
- Não energia: 33 % — agricultura (cerca de 65 % da não energia), metais e minerais (32 %) e fertilizantes (4 %).
Os metais preciosos (ouro, prata e platina) têm índice próprio e ficam fora do total. Os valores saem com uma casa decimal, nos primeiros dias úteis de cada mês, com o fechamento do mês anterior. O BRradar também mostra as partes: energia, não energia e agricultura.
O que significa
Para o Brasil, que vende ao mundo soja, minério de ferro, petróleo, carne, café e açúcar, o índice é um termômetro do vento externo. Commodities caras costumam trazer mais dólares em exportações, mais arrecadação e um real mais forte; commodities baratas fazem o caminho contrário. Do outro lado, o mesmo movimento pressiona a InflaçãoAlta generalizada e persistente dos preços, que faz o dinheiro comprar menos com o tempo. No Brasil, a medida oficial é o IPCA, do IBGE.Ler o verbete completo daqui, porque combustíveis e alimentos seguem os preços lá fora.
Como ordem de grandeza: o índice estava em 31,3 no fim de 2001 e caiu a 46,2 em abril de 2020, no auge da pandemia; bateu recordes em julho de 2008 (156,2) e em junho de 2022 (158,0, com a guerra na Ucrânia); passou o fim de 2025 perto de 95 e voltou a subir forte em 2026, chegando a 142,8 em setembro. Como a energia pesa dois terços, as grandes oscilações do índice quase sempre vêm do petróleo.
Pegadinhas
- Não é a cesta do Brasil. Os pesos são das exportações dos países em desenvolvimento como um todo, e de 20 anos atrás. O petróleo pesa muito mais aqui do que na pauta brasileira, e o minério de ferro pesa menos. Para o efeito dos preços sobre o país, veja os termos de troca, que comparam o que o Brasil vende com o que compra.
- Dólar, não real. O índice está em dólares correntes. Para saber o que chega ao produtor brasileiro é preciso considerar o câmbio: um índice parado com o dólar subindo significa commodities mais caras em reais. O Banco Central publica um índice próprio, o IC-Br, com preços em reais e pesos ligados à economia brasileira.
- Nominal, não real. Não há desconto da inflação americana: parte da alta de longo prazo (de 7,6 em 1960 para mais de 100 hoje) é só o dólar perdendo valor.
- Índice não é preço. 142,8 não é dólar nem tonelada: é a distância, em porcentagem, da média de 2010. Compare variações, não o nível com o de outra série.
- O total esconde as partes. O índice pode subir com o petróleo enquanto a soja cai. Olhe energia e não energia antes de concluir algo sobre o agro.
- Revisões editoriais. O Banco Mundial às vezes revisa ou arredonda o histórico (a edição de outubro de 2026 arredondou tudo desde 1960); pequenas diferenças entre edições são normais.