Como se calcula Mortalidade na infância (menores de 5 anos)
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A taxa de mortalidade na infância diz quantas crianças morrem antes de completar 5 anos, a cada mil que nascem vivas. É um dos retratos mais diretos da saúde de um país: depende de pré-natal, parto seguro, vacinação, saneamento e renda. Esta série é a do IBGE, que a publica como o indicador 3.2.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para o Brasil, as cinco Grandes Regiões e os 27 estados, uma vez por ano, desde 2000. Em outubro de 2026, o último ano é 2023.
Como é calculado
A taxa é o número de óbitos de crianças de 0 a 4 anos no ano dividido pelo número de nascidos vivos no mesmo ano, vezes mil. A unidade é óbitos por mil nascidos vivos. O BRradar mostra a taxa pronta do IBGE, sem refazer a conta, e data cada ano pelo dia 1º de janeiro.
O que significa
Quanto menor, melhor. O Brasil reduziu a taxa a menos da metade: de 32,1 por mil em 2000 para 17,6 em 2010 e 14,4 em 2015. Depois disso a queda parou. A taxa ficou em 13,4 em 2020 e voltou a 15,2 em 2022 e 15,1 em 2023. A meta global dos ODS é chegar, até 2030, a no máximo 25 por mil em todos os países; o Brasil já está abaixo dela. A meta que o Brasil adotou para si é mais exigente: no máximo 8 por mil até 2030. O país (15,1 em 2023) e todos os estados ainda estão acima dela; mesmo Santa Catarina, a menor taxa, tem 10,7.
Dentro do país a distância é grande. Em 2023, Roraima (33,2), Amapá (26,0) e Sergipe (21,8) tinham as maiores taxas, e Santa Catarina (10,7), o Rio Grande do Sul (11,5) e o Paraná (12,7), as menores. Entre as regiões, o Norte (19,7) fica bem acima do Sul (11,7).
Pegadinhas
- Na infância × infantil. A mortalidade infantil conta só as crianças com menos de 1 ano; a mortalidade na infância, esta, conta as com menos de 5 anos. A infantil é menor e é a mais citada nas notícias; não compare uma com a outra.
- Taxa por mil nascidos vivos, não por habitante. O denominador são os nascimentos do ano, e não a população de crianças. Um estado com menos nascimentos pode ter poucas mortes e, ainda assim, uma taxa alta.
- Registros incompletos. Onde óbitos e nascimentos são menos registrados, a taxa pode sair mais baixa do que a realidade. Melhorar o registro pode fazer a taxa subir sem que a saúde tenha piorado.
- Estados pequenos oscilam. Com poucos nascimentos, umas poucas mortes mudam muito a taxa de um ano para o outro. Olhe a tendência de vários anos.
- Último ano pode mudar. Os registros continuam sendo corrigidos depois que o ano fecha.