Como se calcula Termos de troca
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
Os termos de troca medem o poder de compra das exportações de um país. Em uma frase: é a razão entre o preço médio do que o Brasil vende lá fora e o preço médio do que compra. Quando a soja, o minério de ferro e o petróleo sobem mais rápido que os produtos industrializados que importamos, os termos de troca melhoram — a mesma tonelada de soja passa a comprar mais máquinas, remédios ou combustível. A série aqui no BRradar vem do Global Economic Monitor (GEM) do Banco Mundial, que publica um índice mensal para o Brasil (código TOT), com defasagem típica de dois a três meses em relação ao mês fechado.
Como é calculado
A fórmula é direta:
termos de troca = índice de preços de exportação ÷ índice de preços de importação
O numerador é um índice que acompanha os preços das principais mercadorias que o Brasil exporta (soja, minério de ferro, petróleo, carne, café, celulose, aço). O denominador acompanha os preços dos principais produtos importados (bens de capital, combustíveis, insumos químicos, eletrônicos, fertilizantes). Cada um desses dois índices tem um ano-base próprio e, no GEM, são normalizados em torno de 1,0 — a unidade é um índice puro (adimensional), publicado com três casas decimais no catálogo.
Se o índice de preços de exportação subiu 10 % em um ano e o de importação subiu 5 %, os termos de troca ganharam cerca de 5 %. Se os dois subirem na mesma proporção, o número não se mexe. O GEM publica a série mensalmente, pondera cada mercadoria pela sua participação real na pauta brasileira e revisa as observações mais recentes conforme chegam dados fechados dos países exportadores.
O que significa
É um dos termômetros mais diretos de como o cenário externo "chove" sobre a economia brasileira. Termos de troca em alta (índice bem acima de 1,0 ou subindo) significam que o país exporta caro e importa barato: entram mais dólares, a Balança comercial: conceito BoP e conceito aduaneiroDuas contas do saldo de exportações menos importações de bens: a aduaneira, do MDIC, segue a mercadoria na alfândega; a do BoP, do Banco Central, segue a mudança de dono.Ler o verbete completo melhora, o real tende a se valorizar, a InflaçãoAlta generalizada e persistente dos preços, que faz o dinheiro comprar menos com o tempo. No Brasil, a medida oficial é o IPCA, do IBGE.Ler o verbete completo de importados cede e o governo arrecada mais com royalties e com a tributação da exportação de CommoditiesProdutos básicos e padronizados, como petróleo, minério de ferro, soja e café, negociados no mundo todo com preço em dólar. Pesam muito nas exportações do Brasil.Ler o verbete completo. Termos de troca em queda (índice caindo ou abaixo de 1,0) são o inverso: o mesmo esforço exportador rende menos, o déficit em conta corrente pressiona o câmbio e a inflação de insumos chega mais rápido ao supermercado.
Para o Brasil, que exporta sobretudo commodities (produtos primários) e importa sobretudo manufaturados, os termos de troca andam colados aos preços internacionais de soja, minério e petróleo. Nos ciclos de alta das commodities (como o de 2007 a 2011 e o de 2021 a 2022) os termos de troca batem recordes; nos ciclos de queda (como o de 2014 a 2016) despencam. Economistas usam esse indicador para separar o que é "sorte" (ganho de preço no mercado global) do que é "mérito" (ganho de produtividade real) na balança comercial.
Pegadinhas
- Preço × volume. Termos de troca falam só de preço. Mesmo com termos de troca ótimos, o país pode exportar pouco se a safra for ruim ou a demanda externa esfriar — e vice-versa. Para ver o resultado completo, cruze com o valor total exportado e importado (ver exportacoes e importacoes).
- Índice ≠ preço em reais. O número vem em unidade adimensional, com base próxima de 1 (ou de 100, dependendo da fonte). Comparar o nível entre fontes diferentes só faz sentido se o ano-base for o mesmo.
- Mensal × tendência. O índice mensal oscila bastante com soja, petróleo e minério; variações de alguns pontos percentuais num só mês são comuns. Para ler tendência, use a média móvel de 12 meses ou a variação acumulada no ano.
- Fontes concorrentes. Funcex, IPEA e Banco Mundial publicam séries de termos de troca para o Brasil com metodologias e pesos ligeiramente diferentes; o nível difere, mas o movimento costuma coincidir. Aqui a fonte é o GEM do Banco Mundial — ao comparar com um gráfico de outra publicação, confira a origem.
- Defasagem de divulgação. O GEM libera o dado do mês com dois a três meses de atraso e revisa as observações recentes conforme chegam dados fechados; o número mais atual que aparece aqui raramente é do mês que acaba de terminar.
- Direção do indicador. Para o Brasil, "mais alto é melhor" (
higher_is_better), porque somos exportadores líquidos de commodities. Para um país que importa commodities (como o Japão), a leitura seria inversa.