Como se calcula Óleo diesel S10 — preço médio ao consumidor
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
É o preço médio ao consumidor do óleo diesel S10 nos postos do Brasil, coletado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Mostra quanto, em média, o motorista pagou pelo litro de diesel S10 em uma determinada semana. É publicado semanalmente no Levantamento de Preços de Combustíveis e Lubrificantes (LPC), geralmente na sexta-feira, cobrindo a semana de domingo a sábado. A unidade é R$/litro.
O S10 é o diesel de baixíssimo teor de enxofre — no máximo 10 partes por milhão (ppm) —, obrigatório para a maior parte dos caminhões e ônibus novos desde 2012. É mais caro de produzir que o diesel comum (S500, com até 500 ppm de enxofre) e emite menos poluentes.
Como é calculado
A ANP coleta, em cerca de 460 municípios espalhados pelo país, os preços praticados nos postos de combustível todos os dias. A amostra é desenhada para refletir pontos de venda de portes e localizações diferentes. O preço informado é o preço de revenda ao consumidor (com tributos, custo da distribuição e margem do posto já embutidos), e não o preço de refinaria.
A ANP divulga, numa planilha semanal, a média por município, UF, Grande Região e Brasil para cada produto. Esta série é a média nacional do S10 — a ponderação é por volume de venda nos municípios da amostra, e a data atribuída à observação é o último dia da semana pesquisada. Como o S10 vende em quase todo o país, a cobertura por UF é maior que a do diesel S500 comum, que falta em algumas Unidades da Federação na amostra.
O que significa
É o preço de bolso de quem roda com motor a diesel — caminhoneiro, frotista, ônibus urbano, caminhonete, trator. Como o diesel move boa parte da logística do país, o seu preço reflete e influencia o custo de levar comida, insumos e mercadoria do campo e das fábricas até a cidade; é um dos combustíveis mais sensíveis politicamente no Brasil.
Movimentos pequenos (centavos) costumam vir de ajuste da Petrobras no preço de refinaria, de mudança na alíquota do ICMS e de oscilação do dólar (o diesel importado depende dele). Movimentos grandes (acima de 10 % em um mês) vêm, em geral, de decisão política explícita de congelar ou descongelar o preço, ou de um choque internacional (guerra, embargo, corte de produção da OPEP).
O S10 é tipicamente um pouco mais caro que o S500: a diferença, mês a mês, varia com o diferencial de refino e com o custo do biodiesel misturado. Pela especificação ambiental mais rígida, o S10 tende a seguir mais de perto o preço do diesel internacional de referência.
Pegadinhas
- S10 ≠ S500 ≠ diesel marítimo. O S10 tem no máximo 10 ppm de enxofre; o S500, até 500 ppm; o diesel marítimo segue outra especificação e não entra nesta série. A ANP acompanha os dois rodoviários separadamente — veja também diesel para o S500.
- Diesel B. O que o posto vende é o diesel B: diesel A (de petróleo) mais biodiesel obrigatoriamente misturado, numa proporção definida por lei e revisada periodicamente pelo CNPE. Mudança nesse percentual mexe no preço final em alguns centavos e, em datas de transição, cria um pequeno degrau na série.
- Média nacional ≠ seu posto. O preço varia muito entre estados, entre cidades e até entre postos vizinhos. Interior tipicamente paga mais que capital por causa do frete. O número aqui é a média do país; sua região pode pagar bem mais ou bem menos.
- Semanal × mensal. Esta série é semanal. Para comparar com o IPCA e INPCOs dois índices de inflação ao consumidor do IBGE: o IPCA mede o custo de vida das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos; o INPC, de 1 a 5.Ler o verbete completo (mensal, grupo Transportes) ou com a Selic, use a média do mês.
- Mudança de política de preços. O preço acompanhou o internacional (PPI, "paridade de importação") de 2017 a 2022, foi desacoplado em 2023 e tem política específica desde então. Isso quebra séries longas: a dinâmica depois de 2023 não é a mesma de antes.
- Imposto não é lucro do posto. Quando o preço sobe na bomba, uma fatia considerável vai para o governo (PIS/COFINS federais e ICMS estadual), e não para a margem do dono do posto. O ICMS do diesel passou a ter alíquota única por estado desde 2023; antes variava.
- Nem todo veículo usa S10. Caminhões, ônibus e máquinas mais antigos ainda rodam com S500; o S10 é obrigatório, em regra, para motores Proconve P-7 em diante (fabricados a partir de 2012). Em cidade pequena pode haver bomba só de S500.