Como se calcula Mortalidade materna
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A razão de mortalidade materna diz quantas mulheres morrem por causas ligadas à gravidez, ao parto ou ao período logo depois dele (o puerpério, até 42 dias após o parto), a cada 100 mil bebês que nascem vivos. É um dos retratos mais diretos da qualidade do pré-natal, do parto e da atenção à mulher. Esta série é a do IBGE, que a publica como o indicador 3.1.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para o Brasil, as cinco Grandes Regiões e os 27 estados, uma vez por ano, desde 2009. Em novembro de 2026, o último ano é 2023.
Como é calculado
A razão é o número de óbitos de mulheres residentes por causas e condições consideradas de morte materna no ano, dividido pelo número de nascidos vivos de mães residentes no mesmo ano, vezes 100 mil. A unidade é óbitos por 100 mil nascidos vivos. O BRradar mostra a razão pronta do IBGE, sem refazer a conta, e data cada ano pelo dia 1º de janeiro.
O que significa
Quanto menor, melhor. Entre 2009 e 2019 a razão caiu de 72,4 para 57,9 por 100 mil, com oscilações pelo caminho: 68,9 em 2010 e 62,0 em 2015. Em 2020 subiu para 74,7 e, em 2021, chegou a 117,4, o maior valor da série. O salto de 2021 coincide com a pandemia de covid-19. Pela definição da OMS, a morte de uma gestante ou de uma mulher logo depois do parto por uma doença agravada pela gravidez, como a covid-19, conta como morte materna obstétrica indireta, e por isso entra nesta razão. Em 2022 a razão voltou a 57,7, e em 2023 foi a 55,3, a menor da série.
A meta global dos ODS é chegar, até 2030, a menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos em todos os países. A meta que o Brasil adotou para si é mais exigente: no máximo 30. O país (55,3 em 2023) ainda está longe dela.
Dentro do país a distância é grande. Em 2023, Roraima (129,7), Maranhão (97,7) e Amapá (92,7) tinham as maiores razões, e Santa Catarina (33,1), o Rio Grande do Sul (33,9) e o Espírito Santo (40,2), as menores. Entre as regiões, o Norte (80,2) fica bem acima do Sul (38,0).
Pegadinhas
- Razão, não taxa por habitante. O denominador são os nascimentos do ano, e não a população de mulheres. Por isso o nome oficial é "razão" e a unidade é "por 100 mil nascidos vivos".
- O pico de 2021 não é a tendência. De 2012 a 2019 e em 2022–2023 o valor ficou entre 55 e 65. Ao olhar uma média de vários anos, lembre que 2020 e 2021 puxam o resultado para cima.
- Estados pequenos oscilam. Com poucos nascimentos, umas poucas mortes mudam muito a razão de um ano para o outro. Olhe a tendência de vários anos, e não um ano isolado.
- Registro e classificação da causa. Nem toda morte materna é identificada como tal. Onde o registro é mais fraco, a razão pode sair mais baixa do que a realidade, e melhorar a investigação dos óbitos pode fazê-la subir sem que a saúde tenha piorado.
- Último ano pode mudar. Os registros continuam sendo corrigidos depois que o ano fecha.