Como se calcula Mortalidade por acidentes de trânsito
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A taxa de mortalidade por acidentes de trânsito diz quantas pessoas morrem por lesões de trânsito (carros, motos, bicicletas, pedestres e outros) por ano, a cada 100 mil habitantes. É o número mais usado para medir a segurança das ruas e das estradas. Esta série é a do IBGE, que a publica como o indicador 3.6.1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para o Brasil, as cinco Grandes Regiões e os 27 estados, uma vez por ano, desde 2000. Em novembro de 2026, o último ano é 2024.
Como é calculado
A taxa é o número de óbitos por lesões de trânsito no ano dividido pela população residente e multiplicado por 100 mil. A unidade é óbitos por 100 mil habitantes. A tabela do IBGE separa os dados por sexo e por faixa de idade; o BRradar usa o total de homens e mulheres de todas as idades. Mostra a taxa pronta do IBGE, sem refazer a conta, e data cada ano pelo dia 1º de janeiro.
O que significa
Quanto menor, melhor. A taxa do Brasil subiu de 16,6 em 2000 para 22,7 em 2012, o maior valor da série, e desde então caiu: 19,1 em 2015 e 15,4 em 2019, o menor valor da série. Depois voltou a subir devagar: 16,1 em 2022, 16,5 em 2023 e 17,5 em 2024. Esse último valor está cerca de 23 % abaixo do pico de 22,7 de 2012, mas acima do mínimo de 15,4 de 2019.
A meta 3.6 dos ODS, na versão global, era "até 2020, reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas". O Brasil adaptou a meta: "até 2030, reduzir pela metade as mortes e lesões por acidentes no trânsito" (Ipea). Note que a meta fala de mortes e lesões, e este indicador mede só as mortes; a taxa não mede, sozinha, o cumprimento da meta.
Dentro do país a distância é grande. Em 2024, Tocantins (38,7), Piauí (34,4) e Mato Grosso (32,1) tinham as maiores taxas, e São Paulo (11,7), o Distrito Federal (10,8) e o Rio de Janeiro (7,8), as menores. Diferenças grandes assim podem refletir também a qualidade do registro da causa da morte. Entre as regiões, o Centro-Oeste (24,5) fica bem acima do Sudeste (12,4).
Pegadinhas
- Por habitante, não por veículo nem por quilômetro. Um estado com menos carros pode ter poucas mortes e, ainda assim, uma taxa alta, e outro com muito tráfego pode ter taxa baixa. A taxa não diz qual rua ou estrada é mais perigosa.
- Óbito, não acidente. O número conta mortes, e não acidentes nem feridos. Quem sobrevive com sequelas não aparece aqui.
- Estados pequenos oscilam. Com poucos habitantes, umas poucas mortes mudam muito a taxa de um ano para o outro. Olhe a tendência de vários anos.
- Causa nem sempre identificada. Em parte dos óbitos a causa externa não é bem especificada, e a qualidade do registro varia entre os estados.
- Último ano pode mudar. Os registros continuam sendo corrigidos depois que o ano fecha.