Como se calcula Produção industrial — PIM-PF
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
É o termômetro mensal da indústria brasileira. A Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física (PIM-PF) do IBGE mede, mês a mês, quanto a indústria produziu em volume — em quantidade de coisas feitas, não em reais. É o número que a imprensa cita quando diz "a indústria cresceu / caiu X % em agosto": sai no primeiro dia útil de cada mês, aproximadamente seis semanas depois do fim do mês de referência. A série do BRradar é a geral, do Brasil, com ajuste sazonal, e sua unidade é um índice de base 2022 = 100 — o número por si só só diz se a produção está acima ou abaixo do nível daquele ano; o que importa é a variação de um mês para outro.
Como é calculado
O IBGE pesquisa cerca de 8 mil empresas das indústrias extrativa (mineração: minério de ferro, petróleo, carvão) e de transformação (alimentos, bebidas, química, aço, celulose, automóveis, máquinas, eletrônicos, roupa, móveis, farmacêutica…). Juntas, essas são as seções B e C da CNAE 2.0; construção civil, utilities (água, luz, gás) e serviços ficam de fora — essa é "a indústria" da PIM, não a indústria no sentido coloquial.
Cada empresa informa, por produto, a quantidade física produzida no mês (toneladas de aço, litros de refrigerante, unidades de automóvel). Essas quantidades viram índices por produto, com base 2022 = 100: um valor de 110 em um produto significa que foram produzidas 10 % a mais unidades daquele produto do que a média mensal de 2022. Os índices de produto são agregados por pesos fixos — que vêm do valor adicionado de cada produto na Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2022 — até formar o índice da indústria geral e os quatro índices das grandes categorias econômicas (bens de capital, bens intermediários, bens de consumo duráveis e semiduráveis e não duráveis).
Antes de publicar, o IBGE aplica o ajuste sazonal (modelo X-13 ARIMA-SEATS): tira os efeitos repetitivos do calendário — menos dias úteis em fevereiro, pico de produção antes do fim de ano, férias coletivas de janeiro — para deixar na série só o movimento genuíno do mês. O resultado é a série deste indicador: índice com ajuste, do Brasil, base 2022 = 100. A unidade é índice (2022=100) e a frequência é mensal (último dia do mês referido como AAAA-MM-01).
O que significa
Como é um índice, o número sozinho conta pouco: a mensagem está na variação. Um movimento do índice de 100 para 101 é uma alta mensal de 1 % na produção Ajuste sazonalTécnica estatística que tira de uma série os efeitos que se repetem todo ano, como Natal, safra e número de dias úteis, para comparar um mês com o anterior.Ler o verbete completo — muito, para a indústria brasileira, que cresce cerca de 1 a 2 % no ano em média. Dois meses seguidos subindo é um sinal de aquecimento; dois caindo é desaceleração. Em recessões recentes (2015–2016, 2020) o índice caiu mais de 15 % do pico, e levou anos para voltar.
A PIM é um dos indicadores coincidentes mais seguidos: entra como insumo no PIB trimestral do IBGE (via Pesquisa Industrial Mensal, uma das fontes das Contas Nacionais Trimestrais) e no IBC-Br do Banco Central, o "PIB mensal" do BCB. Também é o espelho da política monetária com alguns trimestres de defasagem — Selic alta esfria crédito, investimento e consumo de duráveis (automóveis, eletrodomésticos), e isso aparece primeiro em bens de capital e bens de consumo duráveis.
Pegadinhas
- Volume × valor. A PIM mede quantidades, não faturamento. Preço de minério caindo e produção subindo faz o índice subir e a receita cair — a leitura certa aqui é "a indústria produziu mais".
- Indústria da PIM × indústria "comum". A PIM cobre as seções B (extrativa) e C (transformação) da CNAE. A construção civil e os serviços industriais de utilidade pública (SIUP: luz, água, gás, saneamento) não entram, embora sejam "indústria" no PIB. O PIB industrial do IBGE é bem mais amplo que o número da PIM.
- Com ajuste × sem ajuste. Esta série é a com ajuste sazonal — a que compara mês contra mês e mostra o movimento imediato. A sem ajuste só faz sentido comparada com o mesmo mês do ano anterior (variação a/a). Comparar o índice sem ajuste de janeiro com o de dezembro é erro certo (janeiro sempre cai por férias coletivas).
- Mudança de base e metodologia. A PIM-PF foi reformulada em 2019 (CNAE 2.0, pesos da PIA 2010, base 2012 = 100), e novamente em 2026 (pesos da PIA 2022, base 2022 = 100). Em cada revisão, o IBGE recalcula a série toda com os pesos e produtos novos — comparar valores entre bases diferentes é inútil. A série do BRradar já é a da base 2022.
- Dado por UF só tem variação a/a. O índice com ajuste sazonal nacional não é publicado por UF. No mapa estadual, o IBGE divulga a variação sobre o mesmo mês do ano anterior, sem ajuste, em percentual — e só para 17 UFs: os outros 10 estados e três das cinco Grandes Regiões (Norte, Sudeste, Sul, Centro-Oeste e o DF) ficam sem dado. Maranhão, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul só têm dado por UF a partir de janeiro de 2023, e Mato Grosso a partir de janeiro de 2013.
- Revisões. O IBGE revisa os números dos últimos meses a cada divulgação (o modelo de ajuste sazonal é reestimado quando um ponto novo entra) e, uma vez por ano, revisa a série inteira. A série do BRradar sempre carrega o valor mais recente da fonte, com data de vintage.