Como se calcula Soja — preço internacional
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
É o preço médio mensal da soja em grão no mercado internacional, em dólares por tonelada. Vem do Pink Sheet do Banco Mundial (CommoditiesProdutos básicos e padronizados, como petróleo, minério de ferro, soja e café, negociados no mundo todo com preço em dólar. Pesam muito nas exportações do Brasil.Ler o verbete completo Markets), que compila referências de preços das principais commodities do mundo e publica a planilha nos primeiros dias úteis de cada mês. A soja interessa ao Brasil porque é o principal produto da pauta de exportação — o país é um dos dois maiores produtores e exportadores do grão no mundo, dividindo o posto com os Estados Unidos.
Como é calculado
O Banco Mundial não cota ele mesmo o grão: toma como referência o preço CIF Rotterdam da soja norte-americana (US nº 2 Yellow), apurado no mercado europeu. FOB e CIFDuas formas de dar valor a uma mercadoria no comércio exterior: FOB é o preço posto no navio, sem frete e seguro internacionais; CIF inclui frete e seguro até o destino.Ler o verbete completo quer dizer que o valor inclui custo da mercadoria, seguro e frete até o porto de destino, então embute também o preço do frete marítimo. A cada mês, o Banco Mundial faz a média aritmética das cotações diárias e publica o número do mês fechado na coluna Soybeans da aba Monthly Prices da planilha. A unidade é US$/t (dólares americanos por tonelada métrica), com uma casa de precisão interna; o BRradar exibe sem casa decimal. A série histórica no Pink Sheet começa em janeiro de 1960 e cobre todos os meses desde então.
Esse mesmo arquivo traz também, em outras colunas, o farelo de soja (Soybean meal) e o óleo de soja (Soybean oil) — produtos derivados da mesma matéria-prima, mas que viram mercados próprios. Esta série é só o grão.
O que significa
Pensar nesse número é pensar no termômetro das exportações do agro brasileiro. Preço em alta engorda a receita do produtor rural, melhora a balança comercial (mais dólares entrando), tende a valorizar o real e irriga o PIB agropecuário; preço em queda faz o movimento inverso. Como ordem de grandeza, o Pink Sheet já marcou valores perto de US$ 200/t no começo dos anos 2000, picos acima de US$ 600/t em momentos de choque (seca na Argentina, guerra na Ucrânia, quebra de safra nos EUA) e patamares intermediários entre US$ 350 e US$ 500/t na maior parte da década de 2020.
É um indicador de direção boa-é-maior (higher_is_better) do ponto de vista do Brasil exportador, mas tem contrapartida: alta forte da soja pressiona a cadeia de proteína animal (frango, suíno, boi confinado), porque o farelo é a principal fonte de ração — e isso pode chegar ao supermercado alguns meses depois, nos preços da carne.
Pegadinhas
- Preço internacional ≠ preço ao produtor brasileiro. A referência de preço interna é a do CEPEA/ESALQ (indicador de Paranaguá, por exemplo), que não é dado aberto e por isso não está no BRradar. O preço no porto brasileiro depende do câmbio, do prêmio pago pelas tradings e do frete rodoviário interno — nem sempre acompanha o número do Pink Sheet.
- Grão × farelo × óleo. São três mercados. "A soja" sem qualificação costuma ser o grão, que é o que esta série mede. Farelo e óleo têm cotações próprias.
- US$ não é R$. O preço está em dólares. Para medir ganho em reais, multiplique pela taxa de câmbio do mesmo mês (dolar) — é por isso que a receita de exportação pode subir mesmo com soja de lado, se o real desvaloriza.
- Média mensal, não cotação do dia. O número é a média do mês fechado; cotações diárias do CBOT (Chicago) ou da B3 oscilam muito mais e não aparecem aqui.
- Pequenas revisões a cada edição. Em outubro de 2026 o Banco Mundial arredondou todo o histórico da planilha (valor da série pode ter mudado alguns centavos em qualquer mês anterior). O BRradar carrega sempre a última edição, então a série pode ter diferenças minúsculas em relação a cópias antigas.
- CIF Rotterdam, não FOB Santos. O preço inclui o frete até a Europa; muda com o custo do frete marítimo. Em períodos de crise logística (contêineres, por exemplo), parte da variação é frete, não grão em si.