Como se calcula Mortalidade por suicídio
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A taxa de mortalidade por suicídio diz quantas pessoas morrem por suicídio por ano, a cada 100 mil habitantes. Os serviços de saúde usam o número para saber onde reforçar a prevenção e o cuidado com a saúde mental. Esta série é a do IBGE, que a publica como o indicador 3.4.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para o Brasil, as cinco Grandes Regiões e os 27 estados, uma vez por ano, desde 2000. Em novembro de 2026, o último ano é 2024.
O BRradar trata o tema como a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta a imprensa: mostra os números e o contexto, sem descrever métodos nem locais, e indica onde buscar ajuda no fim desta página.
Como é calculado
A taxa é o número de óbitos por suicídio no ano dividido pela população residente com 5 anos ou mais de idade e multiplicado por 100 mil. O denominador deixa de fora as crianças menores de 5 anos, por isso a unidade é óbitos por 100 mil habitantes (5 anos ou mais) e a taxa não é igual à calculada sobre toda a população. A tabela do IBGE separa os dados por sexo e por faixa de idade; o BRradar usa o total de homens e mulheres, somando todas as faixas de idade a partir de 5 anos. Mostra a taxa pronta do IBGE, sem refazer a conta, e data cada ano pelo dia 1º de janeiro.
O que significa
Quanto menor, melhor. A taxa do Brasil foi de 4,3 por 100 mil em 2000 para 5,3 em 2010, 6,0 em 2015 e 7,0 em 2019. Continuou subindo: 7,9 em 2021, 8,4 em 2022, 8,6 em 2023 e 8,4 em 2024. Os dados mostram um aumento ao longo de duas décadas, e não explicam sozinhos por que ele ocorre: o suicídio não tem uma causa única. Ele costuma resultar de vários fatores ao mesmo tempo, como sofrimento mental sem tratamento, isolamento, violência, perdas e dificuldades financeiras, e por isso a prevenção envolve saúde, família, escola, trabalho e comunidade. Falar abertamente sobre o assunto e procurar ajuda são formas de reduzir o risco.
A meta 3.4 dos ODS, na versão adaptada pelo Brasil, é até 2030 "promover a saúde mental e o bem-estar, a saúde do trabalhador e da trabalhadora, e prevenir o suicídio, alterando significativamente a tendência de aumento" (Ipea). O indicador 3.4.2 não tem um número-alvo: a meta pede mudar a tendência, e não chegar a uma taxa.
Dentro do país a distância é grande. Em 2024, o Rio Grande do Sul (14,6), o Acre (14,0) e o Tocantins (13,6) tinham as maiores taxas, e o Rio de Janeiro (4,3), Alagoas (5,7) e São Paulo (6,1), as menores. Entre as regiões, o Sul (12,9) fica bem acima do Sudeste (6,6) e do Nordeste (7,8).
Pegadinhas
- O denominador é a população de 5 anos ou mais. A taxa não é calculada sobre todos os habitantes, e só se compara com outra que use o mesmo denominador.
- O registro varia. A causa da morte nem sempre é bem identificada, e o estigma em torno do tema pode levar a registros imprecisos. Diferenças entre estados também refletem a qualidade do registro, e não só a realidade.
- Estados pequenos oscilam. Com poucos habitantes, umas poucas mortes mudam muito a taxa de um ano para o outro. Olhe a tendência de vários anos.
- Uma taxa não explica uma pessoa. O número resume muitas histórias e não indica causa nem responsável. Evite ligar uma variação a um único motivo.
- Último ano pode mudar. Os registros continuam sendo corrigidos depois que o ano fecha.
Aprender mais
- Tabela 8183 do SIDRA (IBGE) — indicador ODS 3.4.2
- Indicador 3.4.2 no portal ODS Brasil (IBGE)
- Meta 3.4 adaptada para o Brasil (Ipea)
- Preventing suicide: a resource for media professionals (OMS, 2023)
- Mortalidade materna no BRradar
Se você está passando por um momento difícil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 e em cvv.org.br.