Como se calcula Taxa Selic — meta
Matéria didática: as cinco perguntas que explicam esse número e as pegadinhas da série.
O que é
A Selic meta é a taxa básica de juros do Brasil. É o número que o Banco Central escolhe a cada reunião do CopomO Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne oito vezes por ano para decidir a meta da taxa Selic, o principal instrumento contra a inflação.Ler o verbete completo (Comitê de Política Monetária, oito reuniões por ano) e que serve de referência para quase tudo em finanças no país: desde o rendimento da sua poupança até o juros do seu empréstimo e o custo da dívida do governo. É publicada em % ao ano e vale até a próxima reunião do Copom.
Como é calculado
O Copom não calcula a Selic — ele decide. A cada 45 dias, o colegiado olha a InflaçãoAlta generalizada e persistente dos preços, que faz o dinheiro comprar menos com o tempo. No Brasil, a medida oficial é o IPCA, do IBGE.Ler o verbete completo corrente, a inflação esperada ("Boletim FocusRelatório semanal do Banco Central com a mediana das previsões de bancos e consultorias para inflação, PIB, dólar e Selic. É a opinião do mercado, não a do BC.Ler o verbete completo"), a atividade da economia, o câmbio e o cenário externo, e vota uma taxa. A decisão sai sempre numa quarta-feira à noite, no comunicado oficial, e a nova taxa passa a valer no dia seguinte.
A unidade é % a.a. (percentual anual) e os passos típicos são de 0,25 ou 0,50 ponto percentual por reunião, raramente 0,75 ou 1,00. A Selic chamada "efetiva" (selic-efetiva) é um pouquinho diferente: é a média das operações de um dia (overnight) no mercado interbancário e flutua pouco em torno da meta.
O que significa
A Selic é o remo da política monetária. Quando a inflação sobe, o BCB sobe a Selic — crédito fica mais caro, consumo e investimento esfriam, o câmbio tende a cair, e os preços cedem com um intervalo de 6 a 18 meses. Quando a inflação está sob controle e a atividade está fraca, o BCB corta a Selic — crédito fica mais barato, o consumo volta e a inflação costuma subir um pouco. É sempre um balanço: subir demais trava a economia, cortar demais deixa a inflação escapar.
Para o dia a dia: a Selic é o teto implícito da renda fixa pós-fixada (CDB, Tesouro Selic, LCI/LCA de porcentagem do CDI) e o piso implícito do custo do dinheiro na economia. Um aumento de 1 ponto percentual na Selic significa, grosseiramente, 1 % a mais de rendimento ao ano para quem está aplicado em pós-fixado e 1 % a mais no custo anual de um empréstimo bancário — grosseiramente, porque o banco também cobra o spread.
Pegadinhas
- Selic meta × Selic efetiva. A meta é o número decidido pelo Copom; a efetiva é o que de fato roda no overnight interbancário no dia. Normalmente a efetiva é um ou dois décimos abaixo da meta — a diferença se chama "viés". Confunde porque todo mundo fala "Selic" sem especificar.
- Nominal × real. A Selic é uma taxa nominal. Para saber se o juro está "alto" ou "baixo" de verdade, subtraia a inflação esperada em 12 meses: o resultado é a Selic real ex-ante.
- CDI ≠ Selic. O CDI (depósito interfinanceiro) é a taxa dos empréstimos entre bancos de um dia; segue bem de perto a Selic efetiva, mas não é igual.
- Reunião × vigência. A taxa decidida numa quarta-feira passa a valer na quinta. Se você quiser saber o rendimento de ontem, consulte a taxa que estava em vigor naquele dia, não a mais recente.
- Mudança de regime. Em 1999, o Brasil adotou o regime de metas de inflação: a Selic passou a ser o instrumento principal, calibrada para colocar a inflação de 12 meses dentro da meta anual (atualmente 3 % ± 1,5 ponto percentual). Antes de 1999 a Selic tinha outro papel — comparar a série através dessa quebra confunde.