Receita corrente líquida dos estados por habitante
Receita corrente líquida (RCL) dos 12 meses até dezembro dos 26 estados e do Distrito Federal, declarada no Relatório de Gestão Fiscal (RGF, Anexo 1) enviado ao Siconfi do Tesouro Nacional, dividida pela população que o Siconfi associa a cada estado no exercício, em reais correntes (sem correção pela inflação). O número do Brasil é a soma das receitas dividida pela soma das populações, num ano em que os 27 entregaram. A população do Siconfi não é a estimativa do IBGE do próprio ano: em geral é a do ano anterior, às vezes repetida (a de 2016 em 2017 e 2018; a de 2021 em 2022 e 2023), e em 2024 e 2025 é a do Censo 2022 enviada ao TCU em dezembro de 2022 (207,8 milhões no Brasil, contra 213,3 milhões em 2023). Conceito diferente das séries fiscais do Governo Central.
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Receita corrente líquida (RCL) dos 12 meses até dezembro dos 26 estados e do Distrito Federal, declarada no Relatório de Gestão Fiscal (RGF, Anexo 1) enviado ao Siconfi do Tesouro Nacional, dividida pela população que o Siconfi associa a cada estado no exercício, em reais correntes (sem correção pela inflação). O número do Brasil é a soma das receitas dividida pela soma das populações, num ano em que os 27 entregaram. A população do Siconfi não é a estimativa do IBGE do próprio ano: em geral é a do ano anterior, às vezes repetida (a de 2016 em 2017 e 2018; a de 2021 em 2022 e 2023), e em 2024 e 2025 é a do Censo 2022 enviada ao TCU em dezembro de 2022 (207,8 milhões no Brasil, contra 213,3 milhões em 2023). Conceito diferente das séries fiscais do Governo Central.
Receita que cada estado declarou no Relatório de Gestão Fiscal, dividida pela população que o Siconfi usa para o estado, em reais correntes. O Distrito Federal arrecada também os tributos municipais, então a receita dele não se compara diretamente com a dos estados, e os estados pouco populosos (Acre e Roraima em 2025) têm as maiores receitas por habitante. O Brasil é a soma dos 27 (receita total ÷ população total). Fonte: Tesouro Nacional – Siconfi, licença ODbL.
Legenda: cores de R$ 4.433 a R$ 13.606; Brasil: R$ 6.043.
É quanto cada estado brasileiro arrecadou de receita corrente líquida (RCL) em um ano, dividido pela sua população. Mostra o tamanho do caixa do estado por habitante, calculado para os 26 estados e para o Distrito Federal, mais um número do Brasil inteiro (soma das 27 UFs). A unidade é R$ (reais correntes do ano, sem correção pela inflação) e sai uma vez por ano, até 30 de janeiro, no Relatório de Gestão Fiscal (RGF) que cada estado envia ao Tesouro Nacional pelo Siconfi.
Como é calculado
A fórmula é simples:
> RCL per capita = Receita corrente líquida ÷ população
A receita corrente líquida é a receita corrente do estado (impostos como ICMS e IPVA, transferências constitucionais da União como o FPE, royalties, taxas, contribuições) menos alguns descontos definidos em lei: contribuições do servidor para o regime próprio de previdência, compensação entre regimes e as parcelas que a Constituição manda repassar aos municípios. O conceito e a lista completa das deduções estão na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF, art. 2º, IV). Cada estado é obrigado a apurar e publicar o número no RGF do 3º quadrimestre, que fecha o ano em 31/12 e sai até 30 de janeiro do ano seguinte; o BRradar lê o Anexo 01 do RGF do Poder Executivo de cada UF, pela API do Siconfi, desde 2015.
A população não é a estimativa do IBGE para o próprio ano. É a população que o Siconfi associa ao relatório de cada UF — em geral a estimativa do IBGE do ano anterior, às vezes repetida (a de 2016 em 2017 e 2018; a de 2021 em 2022 e 2023), e desde 2024 passou a ser a do Censo 2022 enviada ao TCU em dezembro de 2022 (207,8 milhões no Brasil, contra 213,3 milhões em 2023). A opção de usar essa população, e não outra, foi para ficar coerente com a receita que o próprio Tesouro publica no mesmo relatório.
O número do Brasil é a soma das receitas das 27 UFs dividida pela soma das populações, e só sai num exercício em que as 27 entregaram — nunca uma soma parcial.
O que significa
É uma medida de quanto o estado tem para gastar por habitante antes de abrir mão de nada. Dois estados com economias parecidas podem ter Receita corrente líquida (RCL)A receita do dia a dia de um governo nos últimos 12 meses, depois de descontados os repasses obrigatórios. É a régua dos limites de gasto com pessoal e de dívida da LRF.Ler o verbete completo per capita bem diferente: pesa muito o FPE (Fundo de Participação dos Estados), que é proporcionalmente maior para os estados menos populosos. Por isso não é raro Acre, Roraima e Amapá aparecerem no topo do ranking, enquanto estados grandes do Sudeste e do Nordeste ficam perto da média nacional.
Em 2025, por exemplo, o número do Brasil ficou em torno de R$ 6 mil por habitante, São Paulo e Rio de Janeiro próximos dessa média, o Acre acima de R$ 13 mil e o Ceará abaixo de R$ 4,5 mil. Isso não quer dizer que o acreano é mais rico que o paulista: quer dizer que o governo do Acre tem mais receita por habitante para custear a mesma estrutura mínima de estado (saúde, segurança, folha). Em termos práticos, essa receita é a base que entra nos dois limites da LRF: 49% para a despesa com pessoal do Executivo e 200% para a dívida consolidada líquida — ambos como fração da RCL.
Pegadinhas
Reais correntes, não reais constantes. O valor nominal de 2025 é maior que o de 2015 em grande parte por causa da InflaçãoAlta generalizada e persistente dos preços, que faz o dinheiro comprar menos com o tempo. No Brasil, a medida oficial é o IPCA, do IBGE.Ler o verbete completo acumulada do período. Para comparar anos distantes, deflacione pelo IPCA e INPCOs dois índices de inflação ao consumidor do IBGE: o IPCA mede o custo de vida das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos; o INPC, de 1 a 5.Ler o verbete completo.
Distrito Federal não se compara com estado. O DF arrecada tributos estaduais e municipais (não há prefeitura em Brasília). A RCL per capita dele fica inflada por esse motivo; a comparação direta com um estado engana.
Fundos constitucionais do AP, de RR e do DF. A despesa com servidores dos ex-territórios (AP e RR) e o Fundo Constitucional do DF são pagos com recursos da União — ficam fora da RCL dessas UFs (LRF, art. 2º, § 2º). O recorte dessas três UFs não é diretamente comparável com o dos demais.
População defasada. Como a populacao do Siconfi é a do ano anterior (às vezes repetida), e desde 2024 é a do Censo 2022 — mais baixa que as estimativas de 2022 e 2023 —, a RCL per capita de 2024 aparece com um salto de nível em relação a 2023 que vem só da revisão demográfica, não de aumento real da receita. É uma quebra na série, não um erro.
Dado autodeclarado. Cada estado aplica as deduções que o seu Tribunal de Contas aceita; o Tesouro não padroniza. Pequenas inconsistências entre entes são normais.
RCL ≠ receita total ≠ PIB per capita. A RCL é um conceito da LRF, com descontos específicos. Não é a arrecadação bruta do estado, não é a receita do Governo Central publicada pelo Tesouro, e não é o PIB per capita (que vem das contas regionais do IBGE e mede a economia do estado, não o caixa do governo).
Brasil só com os 27. Num exercício em que algum estado não entregou o relatório, o valor da UF ausente fica em branco e o número do Brasil daquele ano também não sai — evita uma média que compararia maçã com laranja no ano seguinte.